sábado, maio 12, 2007

calma

Para que ter pressa
se igualmente a vida passa
se tudo acontece a seu tempo
e se o tempo de tudo está pautado
e se o encantamento é vivê-la a cada passo
e...
se quebrar o rítmo e o compasso
...o andar...
estará comprometido
...o olhar...
ficará menos detido
...a voz...
se perderá no espaço
e o prazer do momento,
perdido?

Isiara
as palavras voltam no vento
sussurrando brisas ao ouvido,
os abraços se perdem na pele
buscando caminhos conhecidos.

Isiara 09/01/04

domingo, abril 29, 2007

O Eco do oco


Ando meio sem rima nos últimos tempos, não sei se perdi a poesia ou ela se perdeu de mim. Talvez as coisas andaram caminhando em agonia, quiçá, não sei. Sei lá...da perda...da orfandade...
Mas agora que só resta a nostalgia, não poderia assim deixar a pena cair da mão, por “pena”de mim ou por ...sei lá porque...não sei..
Ando remexendo no tacho das memórias frias, quem sabe seja isto o que me está trançando as fantasias, as lembranças, meu ser criança de outros tempos, outras auroras, outros carnavais que não sambei...
As palavras se perdem em oco, não em vazio ou em nada, mas num oco cheio de eco, cheio de sons e cheiros: de Maria Fumaça na praia...pipoca, do doce da Sol de Ouro, domingo de tarde, de matiné de cinema no Sete ou no Carlos Gomes, daquela ovelhinha de Páscoa..., candy da Tamandaré...o amendoim da maquininha de Trem na frente do cinema...do grito na calçada...”tem pão quente”..”mamãe dá licença?...quantos passos”...
Quantas voltas deu o mundo, em que volta a gente se perde da infância que se vai e não a vemos partir?
A despedimos um dia (a infância) e nos pusemos a buscar novos caminhos, nosso horizonte e nos fomos distanciando da simplicidade do ser criança e acabamos, como todos nos perdendo no adulto que somos hoje. Aí por vezes paramos olhamos para trás e perguntamos: “Mamãe quantos passos?” e ninguém mais responde...agora nós é que temos que responder..."um miudinho” (para que o gurí ou a guría não corram tanto)...
E aí saio eu a buscar as rimas...

Isiara Mieres Caruso
07/02/2007



Isiara Mieres Caruso
07/02/2007

domingo, abril 22, 2007


A voz do silêncio



A sinfonia do silêncio
amanheceu na retina da noite,
violou meus sentidos,
adormecidos...
cansados do ruidos da vida,
do seu açoite.
De quimeras...
cansada.

A voz do silêncio
acalantou meu coração,
acomodou meus ais,
num doce abraço,
de silêncios ocos
de palavras mudas,
de marcas transpassadas.

Isiara Caruso
15/11/02

sexta-feira, abril 06, 2007

corpos/palavras

corpos flutuam no ar
sem pesar,
a passar entre nós
sobre tudo
sobre todos.
corpos desnudos;
ou vestidos de negro
trajando rigor;
ou roupa simples
vazios,
despojados de cor.
corpos de pensamentos
que se fazem palavras
quentes,
mornas,
frias
e alimentam a poesia.